Notas
- Trajes académicos (II)
- Não me surpreende que a minha nota anterior tenha dado origem a tantas mensagens. Coisa ligeira, porventura antiquada, o traje académico. No entanto, como diz um dos meus leitores, simultaneamente académico e militar, “Não são só os académicos que gostam do cerimonial. Todo o poder tem cerimonial. Seja ele qual for.”
A dúzia de colegas que me escreveu converge em alguns aspectos. Os estudantes uniformizaram o seu traje pelo de Coimbra, em quase todas as universidades. Deve haver um único traje doutoral com raízes históricas. As insígnias professorais só devem ser usadas sobre o traje doutoral português, independentemente do direito ao uso do traje estrangeiro, mas não em cerimónias académicas portuguesas. (...) (15.1.2010)
- Trajes académicos
- Toda a gente se sente um pouco mal ao escrever sobre coisas irrelevantes, até talvez um pouco ridículas para muitos leitores críticos. Por exemplo, vale a pena perder tempo com pompas e circunstâncias académicas, a começar pelos trajes? Diria que não, que se o fizer, e vou fazê-lo, estou mesmo a pedir que me considerem senil ou retrógrado. Todavia, uma pergunta de ordem prática que me fizeram ontem não é a primeira, nem de longe: o que é, em Portugal, o traje académico e como deve ser usado? E não sabemos todos como os académicos gostam do cerimonial, símbolo da vetustez saudável da sua instituição? Portanto, não é mesmo assunto sem importância e justifica que me ocupe um pouco, nem que seja por alguma dose de gozo. (...) (14.1.2010)
- Acesso ao Ensino Superior: boas notícias para todos
- Os resultados do Acesso ao Ensino Superior 2007 deram grande alegria a todos os interessados. Aos estudantes porque a taxa de satisfação dos seus pedidos atingiu o valor inédito de 14%. Às instituições porque já não esperavam ver as suas necessidades de alunos saciadas a este nível, com uma queda de 42% nas vagas não preenchidas. Ao Governo porque vai ser compensado com a avaliação popular e as eleições legislativas já não estão tão distantes. Boas notícias para todos! (...) (17.9.2007)
- José Ferreira Gomes - Acesso ao Ensino Superior: boas notícias para todos
- Os resultados do Acesso ao Ensino Superior 2007 deram grande alegria a todos os interessados. Aos estudantes porque a taxa de satisfação dos seus pedidos atingiu o valor inédito de 14%. Às instituições porque já não esperavam ver as suas necessidades de alunos saciadas a este nível, com uma queda de 42% nas vagas não preenchidas. Ao Governo porque vai ser compensado com a avaliação popular e as eleições legislativas já não estão tão distantes. Boas notícias para todos! (...) (17.9.2007)
- O sistema dos empréstimos
- Negar o mérito do agora anunciado (embora não seja totalmente novo) sistema de empréstimos para financiamento de estudos superiores é, a meu ver, uma tolice só justificável por paixão política. No entanto, também não é razão para grande festa. (...) (3.9.2007)
- Vital Moreira - Modelos de governação
- João Vasconcelos Costa desafia-me a clarificar a minha conhecida opção de base por um sistema dualista de governo universitário (com dois conselhos, um conselho universitário representativo e um conselho de supervisão externo), de preferência ao sistema monista adoptado no RJIES, com um único "conselho geral" de composição mista. A questão é hoje verdadeiramente "académica", no sentido distorcido do termo, ou seja, destituída de interesse prático, visto que o RJIES foi aprovado e vai entrar em vigor, com o sistema de governo que triunfou. No entanto, "just for the record", vou articular sinteticamente as minhas ideias. (...) (29.8.2007)
- Ainda a proposta de RJIES – as vagas
- Chamaram-me a atenção para uma omissão do meu artigo recente. É verdade e é coisa importante. Não me referi ao artº 62, "Limitações quantitativas". Confesso que foi negligência minha, saltei-o porque, de relance, pareceu-me referir-se às vagas. Afinal, é muito mais. (...) (30.7.2007)
- Os internos e os externos
- As universidades vão passar a ter um órgão de poder estratégico, o conselho geral. Será constituído por membros internos e por 30% de membros externos à universidade, coisa com que nunca as universidades se defrontaram. Escrevi na última nota que isto dos externos não me preocupa nada, que o que me preocupa é o funcionamento dos membros internos. Vou explicar porquê. (...) (19.7.2007)
- Reitores ou chefes de repartição?
- Um concurso para chefe de repartição? É isto que os reitores julgaram que ia ser o seu processo de "designação" pelo conselho geral? Não posso crer que sejam tão ignorantes sobre o que é um "search and select" ou que nem sequer tenham conseguido entender a descrição razoável que vem no artº 86º da PL. Merecem que se lhes explique como a meninos de escola (...) (18.7.2007)
- As alterações à proposta de lei do RJIES
- A esta hora, está a ser discutida na especialidade a proposta de lei do regime jurídico das instituições de ensino superior (RJIES). Entretanto, já recebi várias reacções de colegas, surpreendidos com o que hoje se anunciam como recuos importantes do grupo parlamentar do PS. Não partilho da surpresa nem da opinião de que os recuos sejam importantes. (...) (17.7.2007)
- No lado errado da crítica?
- Estou com grande dificuldade em situar-me na discussão da proposta de lei do regime jurídico do ensino superior. Não concordo com muita coisa, como já escrevi e reescrevi. Mas as minhas criticas, pouco acompanhadas, nada têm a ver com a generalidade das outras criticas. Isto é como tudo em política. Pode acontecer que uma proposta apanhe com criticas de esquerda e de direita, por razões opostas. Como evitar a confusão? (...) (16.7.2007)
- A proposta de lei e os reitores
- O reitor da U. Católica, Braga da Cruz, protesta contra o conselho geral não ser presidido pelo reitor. Desconhece, aparentemente, os princípios básicos da teoria das organizações. O conselho geral é o órgão que nomeia e exonera o reitor. Logo, nunca pode ser presidido pelo reitor! (...) (9.7.2007)
- Escorregadelas de uma jornalista
- (...) É normalmente com muito agrado que leio as crónicas políticas semanais de São José Almeida, no Público. No último Sábado, escreve "Que modelo de universidade?" e aventura-se, sem dominar bem a matéria, por assunto que, sendo obviamente politico, é também muito mais. Claro que a escrita e a qualidade do raciocínio se ressentem. (...) (2.7.2007)
- Discordando de Vital Moreira (II)
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Meu caro Vital, só agora tendo ouvido a tua intervenção na sessão do CCB e tendo também em conta a afirmação que me fizeste, sem demonstração, numa mensagem privada, continuo a considerar que não tens razão ao afirmar que a proposta de lei aumenta a autonomia administrativa e financeira das universidades.
(...) (29.6.2007)
- Novamente a proposta de lei do RJIES
- Creio que fui dos primeiros a criticar, num e noutro artigo, a proposta de lei. Com isto, corre-se um risco, o de depois nos vermos diluídos num mar de criticas com fundamentação até totalmente oposta. (...) (29.6.2007)
- Um colóquio memorável
- Há pouco tempo, tive uma experiência entre o doloroso e o interessante, a participação num colóquio sobre ensino superior. Falei sobre Bolonha, mas o debate a seguir incidiu principalmente na proposta de lei do regime jurídico das instituições de ensino(/educação) superior. Fiquei entre o espantado e o divertido, embora não ficasse surpreendido, por saber em que águas andavam a maioria dos participantes. Aqui vão alguns mimos com que me presentearam. (...) (27.6.2007)
- Uma no cravo e outra na ferradura
- Finalmente, os reitores saíram a terreiro, acerca da proposta de lei do regime jurídico das instituições de ensino superior. Mostram saber uma coisa básica de luta política. Numa proposta com tanta coisa má, concentram o tiro só em dois alvos, mas, a meu ver, uma no cravo e outra na ferradura. (25.6.2007)
- Boicote a Israel
- Apoio a causa palestiniana mas estou em total desacordo com o proposto boicote académico britânico a Israel. (18.6.2007)
- Os nórdicos
- A lei norueguesa ocupa dez das suas 34 páginas com o código dos estudantes, os seus direitos e deveres, tudo levado a grande pormenorização (até os direitos das estudantes mães, mas também a penalização da cabulice!), enquanto que as disposições sobre a governação se ficam por seis páginas por coisas gerais, apenas enquadradoras daquilo que cada universidade tem de definir nos seus estatutos. (15.6.2007)
- Discordando de Vital Moreira
- A última coluna de Vital Moreira (VM) no Público, habitualmente às terças feiras, trata da reforma do ensino superior. Raramente estou em oposição a VM, meu estimado amigo, mas esta é uma ocasião excepcional. O seu artigo é, na prática, um panegírico da proposta de lei, surpreendente para mim porque a proposta contraria, em aspectos essenciais, opiniões que VM tem manifestado, não há tanto tempo como isso. (14.6.2007)
- "Como pensam os médicos"
- Uma nota extensa sobre um livro em que um professor da Harvard Medical School questiona a preparação dos actuais jovens médicos. (...) (11.6.2007)
- Half way to real reform
- Universities in Germany have undertaken overdue reform, but more change is needed to fully tap their potential. (...) (Transcrição da Nature, 7.6.2007)
- Ainda a proposta de RJIES – as vagas
- Chamaram-me a atenção para uma omissão do meu artigo recente. É verdade e é coisa importante. Não me referi ao artº 62, "Limitações quantitativas". Confesso que foi negligência minha, saltei-o porque, de relance, pareceu-me referir-se às vagas. Afinal, é muito mais. (...) (31.5.2007)
- Que futuro para as privadas?
- Sobre o requisito de pelo menos um doutorado por cada 30 estudantes. (30.5.2007)
- Bolonha, a China e a Índia
- Ainda mal se apagaram as luzes da reunião de Londres do processo de Bolonha e já vem um alerta do comissário europeu da Educação, Jan Figel, em declarações ao jornal britânico The Times. "Dentro de uma década, as universidades europeias podem ser ultrapassadas pelas da China e da Índia". (...) (30.5.2007)
- Bolonha-II?
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Sei que tenho leitores muito argutos e profundos conhecedores do processo de Bolonha. Certamente leram nas linhas e entrelinhas tudo o que esteve à volta da reunião de Londres 2007: declaração de Lisboa (EUA), Trends V, comunicado dos ministros. Não acharam nada de estranho?. (...) (29.5.2007)
- A adequação a Bolonha
- Tocou a trombeta para as universidades portuguesas, "para Bolonha e em força". O velho das botas deve estar a rir-se, porque não houve revolução que destruísse o fundamental, o espírito portuga. (...) (28.5.2007)
- Os "rankings"
- Na proposta de lei da avaliação do ensino superior, já em discussão na AR, prevê-se a elaboração de "rankings" e o ministro Mariano Gago tem defendido enfaticamente a sua necessidade, coisa de que discordo. (...) (24.5.2007)
- Cumprindo Bolonha
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Esta figura, aparecida no Público, mostra a taxa de efectivação do processo de Bolonha, medida em percentagem de universidades que adoptam o esquema de dois ciclos (...) o nosso grupo, dos castanhos claro (50-70% de aplicação de Bolonha), a destoar dos laranjas e vermelhos (incluindo a Turquia, pasme-se). No entanto, repare-se que estão da mesma cor de Portugal a Espanha, a Alemanha e a Suécia. Isto é um bom alerta para a necessidade de analisarmos sempre com cuidado as coisas demasiadamente impressionistas, como é uma figura destas. (23.5.2007)
- Bolonha, Londres 2007
- O comunicado dos ministros, Londres 2007, causa-me alguma estranheza. Em todos os anteriores encontrei alguma coisa de novo, a valer a pena. Este nada adianta, parece coisa ritual. Será que o processo de Bolonha entrou na rotina? (22.5.2007)
- A relevância social do ensino
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Creio que ainda até ao fim de semana publicarei um artigo aprofundado sobre o RJIES. (...) Entretanto, dei por uma coisa que me obriga a manifestar uma grande preocupação. Diz o artº 39º, alínea g, que é requisito geral para a criação e funcionamento de um estabelecimento a "garantia de relevância social do ensino (...)". Fico a pensar na ameaça do puxar da pistola quando se fala de cultura. (16.5.2007)
- Indignação justificada
- Manuela Vaz Velho:
Estou completamente indignada com a versão oficial do regime jurídico das instituições de ensino superior de que tive conhecimento hoje. (... ) diz respeito à diferença de qualidade dos ensinos politécnico e universitário.
(16.5.2007)
- A fome e a fartura
- Tenho estado a "deliciar-me" com a leitura da proposta de lei de regime jurídico das instituições de ensino superior, 340/2007 (...) Sai um monstro legislativo, de 87 páginas e 153 artigos, uma indigestão para quem não tem vocação burocrática. Às vezes, pergunto-me se isto não é voluntariamente dissuasor. (...) (9.5.2007)
- Já nem tudo é uma choldra
- Quando se poderia esperar que a nota inaugural fosse coisa séria, fará rir um pouco, mas riso significativamente positivo, a fazer-nos pensar que o nosso hábito, tão frequente, de ainda invocar o Eça (tudo isto continua uma choldra) deve ser moderado. (...) (1.5.2007)
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