Já houve tempo do xadrez, horas intermináveis com o meu
pai. Hoje, tenho de cuidar mais é do corpo. Desde há uns
anos, rendi-me ao golfe, contra o que tinha preconceitos. Afinal, é
um jogo
- Não mais caro do que os apaixonados do futebol gastam nos bilhetes
para o estádio.
- Que faz andar cerca de 7 Km em ambiente verde, bonito e relaxante.
- Que se joga igualmente bem dos 10 aos 70 anos, porque o que interessa
principalmente é a técnica e a sua adaptação
às condições físicas.
- Em que não há sorte ou azar, há é jogar
bem ou mal.
- Em que se compete mais consigo próprio do que com os outros.
- Em que há regras de etiqueta que reflectem uma boa educação.
- E em que a cerveja do 19º buraco é um complemento indispensável.
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Trocam-se receitas ORIGINAIS de boa cozinha!
É uma faceta que julgo complementar da minha actividade profissional.
O leitor comum terá, porventura, a ideia de que o sucesso científico
depende exclusivamente de uma alta capacidade intelectual. Não
é verdade. Com alguma margem de erro nas percentagens, diria que
esse sucesso depende em 50% de muito trabalho e persistência, em
35% de imaginação e só nos restantes 15% em inteligência.
Com alguma frequência, essa imaginação que se requer
a um investigador científico, como eu, tem como extensão
colateral uma queda para as artes – o violino de Einstein, ou, mais
domesticamente, a pintura de Abel Salazar. No meu caso, salvo alguns devaneios
de poesia adolescente ou de desenho mais tardio, mas de que perdi o hábito,
deu-me para uma arte menor, todavia respeitável, que é a
cozinha. Na maior parte das vezes, limitei-me a interpretá-la.
Mas, sempre que possível e à medida em que os anos corriam
e me sentia gastronomicamente mais capaz, tentei, mal ou bem, dar-me ao
prazer da criação, mesmo quando essa criação
é mais uma recriação, reelaborando memórias
de sabores.
Estou convencido de que, na cozinha, só os grandes artistas, que
se contam por dígitos ao longo da história culinária
conhecida, são verdadeiramente criadores de novo. Até Camões,
no seu “as armas e os barões assinalados”, não
vai atrás, em adaptação, do “armae virumque
cano” de Virgílio?
Mas, modéstia à parte, os meus amigos comensais consideram
que a minha cozinha tem uma qualidade pessoal distintiva. Não é
grande segredo, apenas a boa conjugação de quatro factores:
boa educação gastronómica e sentido crítico
em relação a modas passageiras; bom gosto e criatividade,
com apurada noção da combinação dos sabores;
boa técnica culinária; adequação à
vida prática de hoje, da maioria das pessoas, que podem gostar
– e devem – de fazer um bom jantar de amigos, mas hoje inevitavelmente
à custa do tão necessário relaxamento e repouso e,
por isto, com uma cozinha de compromisso entre a simplicidade, a originalidade
e a qualidade.
De tudo isto resultou o meu livro "O gosto de bem comer".
Também uma página, aqui, para divulgação de novas receitas que for inventando.
Outras vezes, ocorrem-me notas, críticas, sugestões, dicas de técnica culinária. ao estilo de blogue, vou-as escrevendo na página "Do gourmet".
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