| João Vasconcelos Costa 28.05.2010 | |||||
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26.6.2009 Não tenham medo Na cozinha moderna dos restaurante superestrelados há técnicas que não são acessíveis ao comum gastrónomo e cozinheiro que se preze. Podem exigir grande domínio da arte ou equipamento de cozinha profissional. Em muitos outros casos, não é assim. Vou referir algumas coisas na moda e perfeitamente ao alcance de quem se quiser esmerar um pouco na cozinha. Confitados Muito simplesmente, é uma cozedura muito lenta a a lume baixo, com a peça completamente coberta por gordura. Hoje, o conceito alargou-se e o líquido de cozedura pode ser uma gordura misturada com caldo, com vinho generoso ou champanhe, ou até uma calda ou um agridoce para frutas ou legumes. Lembre-se de que, na origem, o confitado é uma conserva. Hoje, talvez seja mais usual servir imediatamente um confitado, mas também pode conservar a peça na gordura de confitar. Clássico, o “canard confit”. Também, com humildade reverente em relação ao "canard confit", sugiro a minha receita de truta confitada em azeite aromatizado. Esferas
Tenho várias receitas e com variantes conforme o tipo de massa. Indicaria o seguinte, em termos gerais, sujeitos a experiência de cada um. Para adquirir cor e sabor, demolhar durante uma água no líquido e ferver, a lume médio, durante cerca de 45 minutos, até ficarem coradas mas transparentes ou translúcidas, sem vestígios da massa branca, opaca. Coar e passar por água fria. Voltar a cozer, mais cerca de 15-20 minutos, podendo nesta fase ser só em água, porque já não vai escorrer o seu “tempero”. Baixa temperatura Cada vez mais gosto e uso a cozinha a baixa temperatura. Claro que não é coisa para tudo. Vai bem com algumas carnes rijas (experimentem moelas em gordura de ganso aromatizada ou coxas de galo velho - até aquelas que vêem nas embalagens de "para canja" - assadas em vinho tinto a baixa temperatura!), com bacalhau (vejam esta minha receita de bacalhau assado), com atum fresco, polvo, lula ou choco grande, búzios, enfim, tudo coisas duras. Nunca com peixe! Essencialmente, diz respeito a assados no forno. Nos fornos modernos, é experimentar uma temperatura à volta dos 90º, com o forno pré-aquecido a essa temperatura uma boa hora antes. É de contar com horas de assadura, a experimentar. Mais complicado é quando só se tem um velho forno a gás. Um compadre meu destas andanças gastronómicas experimentou e sugere o seguinte: aquecer durante meia hora o forno a gás máximo. Introduzir o assado, apagar o gás e deixar assar, sem abrir o forno, para manter sempre a temperatura. Não garanto, nunca fiz, mas experimentem. Não esquecer, em qualquer caso, cobrir a assadeira com uma folha de alumínio. Cozinha a vapor
Variando, da boca do fogão para o forno, mesmo que não seja forno a vapor, profissional, também é a vapor o meu cozido das Furnas feito em casa, que, quase da mesma forma, anda por aí a fazer sucesso num restaurante que vale a pena (claro que não é questão de cópia, “les bons esprits se rencontrent”. O que posso garantir é que inventei esta receita há muito tempo, publiquei-a no meu livro em 2005, embora a tenha rectificado depois). Assado a seco
Também tenho um maçarico a gás, para “crocar” rapidamente, por exemplo, um molho grosso sobre um peito de aves ou um medalhão de peixe, quando o prato, como nestes exemplos, não pode ir a “crocar” demoradamente no forno. Não vou pretender que os meus amigos cozinheiros do dia-a-dia, mesmo que com pretensões, comprem isso para utilizações raras.
Espuma Gosto muito, na tradição dos “sabayons”. Fiz muitos, quentes e frios. A base técnica é bater bem, a espumar, molhos pouco espessos com gemas e muito frequentemente com natas. É técnica difícil, como tudo o que é trabalhar com gemas. Costumo dizer que só me senti cozinheiro a sério quando deixei de talhar um molho holandês, que hoje faço de olhos fechados. Hoje, os "sabayons" ficam muito mais fáceis com um sifão, como tenho. É aquela coisa que nos tempos dos colonos ingleses se usava nos trópicos, depois trazido para a Europa, para misturar a “soda water” ao uísque.
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