| João Vasconcelos Costa 28.05.2010 | |||||
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1.7.2009 Truques de cozinha (I) Na última nota, falei de técnicas relativamente elaboradas mas, em boa parte, ao alcance do cozinheiro amador que se esmere. Não sei se um meu leitor habitual, e crítico habitual de algum nivelamento por baixo destas minhas escritas, não me irá criticar. É que hoje vou muito mais abaixo no nível técnico de algumas dicas, mas garanto que correspondem a muitas perguntas que me fazem. Há dias, vi um arroz branco a cozer com água só a cobrir, deixado esquecido ao lume vivo e claro que, no fim, uma papa de arroz. Arroz Há uma variante de que gosto muito, mas pouco usada entre nós, o arroz à crioula (por mim, com arroz de Suriname, mas também o faço com agulha). Precisa de algum cuidado e esmero. Difere do que escrevi em que o arroz é adicionado a água fria com sal, até 3 cm acima do arroz. Deixar cozer destapado, em lume forte, até a água estar ao nível do arroz. Tapar e cozer em lume muito baixo até secar (cerca de 45 min). Está pronto a servir e não pode esperar nem ser reaquecido. Diferente é o carolino, a nossa versão de arroz apropriado para pratos de mistura de arroz com qualquer coisa. É só para isto que deve ser usado, mas isto é, na nossa tradição culinária, uma imensidade de arrozes de qualquer coisa. Novamente, é essencial lavá-lo previamente. Depois, em muitos pratos, começa-se por um refogado, a que depois se junta o arroz, mexendo bem até ficar translúcido. Mesmo sem refogado, não dispenso este passo, mesmo só com o arroz e gordura. Juntar o que se quiser, carnes, frango, peixes, bacalhau, mariscos, feijão, tomate, ervilhas, etc. (menos, para mim, a detestável cenoura, mas são gostos!). Essencial é o passo seguinte, a adição do líquido (água, caldo, vinho, cada coisa sozinha ou em proporções variadas). Primeiro, deve ter sido aquecido previamente. Depois, a quantidade. 1,5 vezes a quantidade do arroz para um arroz muito seco (como eu gosto, mas a exigir grande vigilância da cozedura para não queimar e ficar solto), 2 vezes para a generalidade dos casos, 2,5-3 vezes para malandrinho. É nesta altura de junção do líquido de cozer que se tempera e se dá umas voltas rápidas a misturar o arroz. Depois disto, não se mexe mais, é tapar o tacho, deixar ferver a lume médio, 12-13 minutos, a vigiar. Eu não me importo que fique no fundo do tacho uma muito ligeira camada queimada, é bom sinal e até isola o resto. Claro que tenho é cuidado ao servir. Essencial é também a incubação pós-cozedura: cerca de 2 minutos, lume apagado, panela tapada, a abafar. Por vezes, antes deste passo, junto um pouco de gordura fresca, a que se usou inicialmente, dou meia dúzia de voltas suaves, rapidamente, mantenho ao lume durante não mais do que meio minuto e abafo, como disse. Gemas Cravinho e pimenta da Jamaica Na cozinha açoriana, os grãos de pimenta da Jamaica são adicionados inteiros. Eu sou mais requintado e recomendo um pouco de trabalho. Os grãos, quando esmagados com uma faca, sem demasiada força, deixam fragmentos da casca exterior e um núcleo escuro. Distinguem-se bem. Não uso o tal núcleo, que é picante mas sem sabor. Para ser honesto, esta dica não é minha, antes de um meu irmão que também sabe bem de cozinha, embora com menos visibilidade. Guisado Hoje fico por aqui, mas continua.
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