João Vasconcelos Costa              28.05.2010    
eu A INQUIETUDE PERMANENTE
Autorretrato de um epicurista, na sabedoria dos 60 - Self-portrait of an epicurean and the wisdom of the sixties

O meu outro sítio:

REFORMAR A EDUCAÇÃO SUPERIOR

21.4.2009

Ainda há outra esquerda

1. Foi dado destaque mediático a um apelo para a apresentação de uma candidatura única de esquerda às eleições autárquicas de Lisboa, numa situação perigosa em que a lista comum PSD-CDS pode bem ganhar. Creio que a iniciativa vem dos lados dos renovadores comunistas, mas isto não me interessa, até é bom, assim não vejo nisso nenhuma instrumentação partidária. Simbolicamente, teve o apoio dos dois cabeças de lista da primeira candidatura unitária, Jorge Sampaio e José Saramago.

Infelizmente, tudo indica que esta iniciativa não terá sucesso prático. Todos os partidos e movimentos de esquerda já anunciaram que vão concorrer isoladamente. Realisticamente, não era de esperar outra coisa. Como é que o PCP, pertinaz opositor do PS e do seu governo, podia apresentar-se coligado com o PS? E, por parte deste, o que esperaria dos viperinos ataques ao BE, no congresso do PS, e logo disparados pelo presidente da CML, António Costa?

Talvez isto explique que, contra o que imaginei, a petição não tenha tido ainda grande subscrição. Entretanto, o grupo de subscritores iniciais, em que me integrei com todo o gosto, começou a publicar um blogue, “Esquerda para Lisboa - Apelo à convergência”, que começa por ter respostas dos promotores à simples pergunta “porque subscrevi o Apelo à Convergência de Esquerda para Lisboa?”. Aqui vai a resposta que enviei, propositadamente curta e singela:

“Em primeiro lugar, porque concordo com o apelo e reconheço a sua importância política, para já a nível municipal, mesmo que tudo indique que não vá ter consequências práticas imediatas e que, tanto quanto se noticia, a esquerda vai apresentar-se fraccionada. No entanto, "água mole em pedra dura...".

Para além desta resposta, há outra talvez menos óbvia. Eu próprio me interroguei, simplesmente por não ser eleitor por Lisboa. Tenho o direito de interferir numa eleição que não me diz respeito? Neste caso, claro que sim, porque ela me diz respeito, diz respeito a todos os portugueses.

Com todo o respeito por qualquer pequeno município do interior, Lisboa (e mesmo o Porto) é diferente, tem grande impacto em toda a vida política nacional.  Basta lembrar que dois presidentes da CML beneficiaram grandemente dessa imagem para cargos de nível nacional, Sampaio e Santana Lopes. É certo que as autárquicas vêm depois das legislativas, mas não é só cada momento eleitoral que conta. Desculpem o trocadilho, mas este ano vai ser todo um "momentum" (e "movimentum") indissociável.”

2. A mesma amiga que me convidou a integrar o grupo promotor dessa iniciativa enviou-me hoje um alerta sobre o jantar do 25 de Abril da Associação 25 de Abril (A25A):

“A ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL vai organizar este ano o jantar convívio do
35.º aniversário do 25 de Abril, nas instalações da antiga Escola
Prática de Cavalaria, em Santarém, local de onde sairam as tropas de
Salgueiro Maia. Seremos convidados da CM Santarém.
Dia: 24 de Abril de 2009
Hora: 19h30 (convém chegar um pouco antes…)
Preço: € 5,00
Para quem necessite de transporte, existem autocarros  a partir de Lisboa, ao preço de € 10,00, viagem de ida e volta, com partida da porta principal do Jardim Zoológico (1º autocarro às 17h, último às 18 h)
A partir das 23h00, haverá um espectáculo evocativo do 25 de Abril,
que se espera seja grandioso, realizado pelos mesmos responsáveis dos
espectáculos feitos na Expo98, em Lisboa.
INSCRIÇÕES: a25a.sec@25abril.org ou telf. 21 324 14 20, referindo se precisam de transporte  -  TÊEM QUE SER RÁPIDOS!
Vai ser um jantar memorável, num local histórico!”

Estranhei e, por ignorãncia minha do que é hoje a A25A, perguntei à minha amiga se esse jantar não era aquele normalmente organizado por e para militares do MFA, em cujo número não entro (não se pode ter tudo na vida!). Respondeu-me.

“De forma nenhuma! AA25A é uma associação aberta aos civis, todos podemos tornar-nos sócios, com iguais direitos e regalias dos militares. Inicialmente foi fundada por militares, mas cada vez se abre mais à sociedade civil. Aliás, se forem ao site, verão como está organizada. Todos deviamos participar, têm um restaurante aberto a todos, e na sua sede organizam-se actividades culturais e civicas diversas. Eu própria sou uma sócia activa.”

Claro que fui logo ver o “site”. Confesso que não conhecia. Ainda só o vi na diagonal, mas pareceu-me que o acervo de informação é impressionante e que a A25A está muito activa (sem desprimor para todos os outros, Vasco Lourenço não é homem para ficar refastelado em cadeira de baloiço, a assobiar para a lua). Espero é que consiga atrair muitos sócios jovens, para que não se perca a memória. Se há coisa que me entristece é ver a idade típica dos manifestantes avenida abaixo, no 25 de Abril.

Declaração de interesses - Não pertenço ao grupo dos renovadores comunistas. Tenho apreço pela sua actividade, mas a minha saída do PCP foi já há muito tempo e em condições muito diferentes. Há tanto tempo que o mesmo vale para outros grupos de amigos (grupo dos seis, dissidentes de 1991) cuja saída segui com interesse mas já com algum distanciamento pessoal. É tudo uma questão de calendário, mas que, obviamente, não me inibe de colaborar com os renovadores sempre que o desejarem.

 

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